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O que você tem aprendido com esta pandemia?

Se toda crise traz algum ensinamento, certamente esta pandemia deixará algumas boas lições, além de novos comportamentos que deverão ser mais frequentes na vida dos colaboradores e da própria área de recursos humanos. Da maior aceitação da telemedicina à identificação e boa gestão de pacientes crônicos nas empresas, passando pelo (re)descobrimento da capacidade que temos de nos cuidar reciprocamente (e da responsabilidade de cada um com esse tema), são muitos os exemplos.

Ana Cláudia Oliveira, vice-presidente de relações humanas Brasil e Argentina da Continental, conta que este período atípico de pandemia, com foco na questão da saúde, evidenciou a importância de estruturar os procedimentos de gestão de crise e, mais ainda, promover revisões constantes. “Em um aspecto operacional, tornou-se vital o mapeamento da população interna e identificação de grupos de risco para uma atuação cada vez mais assertiva”, diz.

“A PANDEMIA POSSIBILITOU DIÁLOGOS SOBRE TEMAS QUE ANTES NÃO ERAM ABORDADOS ABERTAMENTE, COMO O FALECIMENTO”

Daqui para a frente, ela acredita que as pessoas desenvolvam, por necessidade, uma mentalidade mais preventiva com relação à saúde. “E isso é sempre positivo. Acreditamos que os hábitos de higiene pessoal e limpeza também já estão sendo redefinidos e os cuidados no dia a dia serão mais rigorosos”, conta Ana Cláudia.

Neste aspecto, Daniela Santos, diretora de capital humano da Simpress, provedora de outsourcing de equipamentos e soluções, concorda. E reforça, também, uma mudança cultural e um olhar mais atento à saúde como uma espécie de legado desta crise.

Relação com as operadoras

Daniela ainda destaca o protagonismo e a relevância da área de RH para a organização a partir da gestão de uma crise com origem na saúde. E dentro desse protagonismo, ela destaca algumas ações ou preocupações que farão parte da agenda da área de recursos humanos de agora em diante. Um exemplo é buscar a extensão de cobertura para novos exames e procedimentos que sejam necessários, caso uma nova pandemia aconteça, por meio de negociação contratual e parceria com fornecedores.

Outro ponto é reconhecer a importância da saúde dos colaboradores e dependentes, e fazer investimentos adicionais por uma possível não cobertura da operadora versus a insuficiência do sistema público de saúde, assumindo a corresponsabilidade em relação ao tema. “Além disso, a pandemia possibilitou diálogos sobre temas que antes não eram abordados abertamente, como o falecimento. Portanto, o aprimoramento dos protocolos de apoio familiar, em caso de falecimento de colaboradores e dependentes, se fazem necessários. Inclusive, informações sobre cobertura do seguro de vida, extensão de bens, informações sobre previdência privada, tempo de extensão do plano de saúde, dentre outros”, diz Daniela.

Ela conta que, pela legislação, no que se refere à cobertura no caso de epidemias, as medidas de saúde pública jamais foram de responsabilidade direta das operadoras privadas, tanto que campanhas de combate a outras epidemias, como o fornecimento de vacinas à população, não têm cobertura imputada aos planos de saúde. “Historicamente, tanto antes quanto após a Lei dos Planos de Saúde (Lei n. 9.656/98), situações de epidemias, pandemias, cataclismas, desastres naturais e congêneres sempre foram cláusulas de exclusão de coberturas dos planos de saúde”, diz. “Não se pode esquecer, à luz da Constituição Federal, que a obrigação de prestação de serviço de saúde integral e irrestrita é do Estado e não das operadoras de planos de saúde que exercem cobertura suplementar.

O papel da tecnologia

Os comportamentos de passividade em relação a receber orientações e cuidados tendem a mudar a partir de agora. É o que avalia Paula Reis Brabo, executiva de gestão estratégica de pessoas da ONE7, empresa especializada em antecipação de recebíveis. “A ideia é que todos sejam responsáveis por sua saúde, desenvolvimento de carreira e resultados, sabendo como usar a rede de apoio como os líderes e pares”, complementa.

E a principal lição que esta pandemia traz, para ela, é que a reinvenção é necessária para todos e, se bem aplicada, vai funcionar. “Aprendemos que temos uma conexão muito forte e que podemos cuidar uns dos outros em detalhes que não imaginávamos. Tecnicamente, aprendemos que a tecnologia é aliada, mas o mais importante foi descobrir como usá-la não só para fazer coisas mas para conectar verdadeiramente as pessoas”, diz.

“OS CUIDADOS COM AS PESSOAS DE FORMA REMOTA, SEM O CONTATO PRESENCIAL, SE TORNARAM UM DESAFIO, UMA VEZ QUE A GRANDE MAIORIA SENTIU NA PELE O ISOLAMENTO PROLONGADO”

E a tecnologia também é um ponto destacado por Ronaldo Abe, diretor médico de saúde corporativa da EY, empresa de serviços de auditoria, impostos, transações corporativas e consultoria. Entre as lições que esta pandemia trouxe para o RH ou para empresa no que se refere à gestão de saúde, ele conta que é o papel da tecnologia na gestão da saúde, que foi reforçada e evoluiu rapidamente, principalmente no que tange à telemedicina e aos aplicativos de saúde. “Os cuidados com as pessoas de forma remota, sem o contato presencial, se tornaram um desafio, uma vez que a grande maioria sentiu na pele o isolamento prolongado”, afirma.

A falta de contato presencial com as pessoas, a dificuldade de lidar com o “novo” ambiente de trabalho em casa, a solidão, o medo de contrair a covid-19, as questões de ergonomia, lidar com o limite trabalho/casa são exemplos de suporte que as áreas de RH e de saúde têm vivenciado diariamente. “Tudo isso acaba se refletindo na saúde mental das pessoas e a busca por ajuda especializada (áreas de psicologia e psiquiatria) tem se tornado mais importante ainda”, diz.

Ronaldo conta que muitas pessoas passaram a conheceram melhor o lado tecnológico do suporte em saúde, proporcionado pela telemedicina. “Viram que podem resolver muitas questões de saúde pelo próprio celular de maneira simples e prática. Provavelmente, a telemedicina veio para ficar, se estabelecendo não somente como uma ferramenta, mas sim como uma parte do sistema de saúde”, destaca, como um dos novos comportamentos que devem permanecer. (Gumae Carvalho)

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